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Filme e Educação Destacam o Racismo no Atendimento Médico

Desigualdade na Assistência Médica: Um Cenário Alarmante
Dentre as diversas questões que permeiam a saúde pública no Brasil, a discriminação racial emerge como um fator crítico que impacta diretamente a qualidade do atendimento médico recebido por pessoas negras. O curta-metragem “Corpo Negro”, exibido em uma sessão especial no Cinema Estação do Shopping Gávea, no Rio de Janeiro, tem o intuito de refletir sobre essas desigualdades ao retratar a trajetória de um homem que enfrenta a indiferença de profissionais da saúde. A obra, dirigida por Nany Oliveira e lançada no contexto do projeto Mediversidade, é um convite à reflexão sobre como o racismo se manifesta nas experiências de pessoas negras no sistema de saúde.
A Disparidade em Diagnósticos e Erros Médicos
Estudos reveladores corroboram a realidade apresentada no filme. Uma pesquisa realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) em 2018 indicou que mulheres pretas e pardas enfrentam o dobro de chances de receber um diagnóstico tardio de câncer de mama se comparadas às mulheres brancas, apontando para uma desigualdade alarmante na atenção à saúde feminina. Essa evidência, publicada na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, escancara a urgência de intervenções no sistema de saúde para garantir que todas as pacientes recebam um atendimento adequado e equânime.
Outra pesquisa, desenvolvida em 2023 pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) e pelo Instituto Çarê, reforça essa preocupação, indicando que pacientes negros têm maior probabilidade de serem hospitalizados devido a erros médicos nas diversas regiões do país. Os dados mostram que essa probabilidade é especialmente alta no Sudeste e no Nordeste. Com uma análise abrangente de 66.496 internações ocorridas entre 2010 e 2021, a pesquisa evidencia que a equidade no cuidado médico ainda é uma meta distante no Brasil, levando a um número considerável de hospitalizações por negligência no atendimento.
Além das questões de diagnóstico e erro médico, uma pesquisa elaborada pelo Ministério da Saúde e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelou que a mortalidade materna entre mulheres negras é mais que o dobro da observada em mulheres brancas. Essa constatação, resultante da análise de óbitos ocorridos até 42 dias após a gestação, evidencia uma clara necessidade de políticas públicas que melhorem a assistência obstétrica para mulheres negras, garantindo que elas tenham os mesmos direitos e cuidados que suas contrapartes brancas.
A Resistência e a Resiliência da Comunidade Negra
O curta-metragem “Corpo Negro” não se limita a retratar dados alarmantes; ele também ressalta a invisibilidade dos pacientes negros no sistema de saúde. Os dados apresentados no filme demonstram que as consultas com médicos para pacientes brancos tendem a ser mais demoradas, o que levanta questões sobre o tempo e a atenção dedicados a pacientes de diferentes etnias. Além disso, o filme aponta para uma triste ironia: enquanto os corpos de pessoas negras são frequentemente utilizados para doações em estudos nas faculdades de Medicina, sua presença nos próprios cursos é escassa.
De acordo com o Censo de 2022, apenas 2,8% dos graduados em Medicina se identificaram como negros, enquanto 75,5% se declararam brancos e 19% pardos. Essa disparidade no número de profissionais negros em um dos setores que mais necessita de diversidade agrava ainda mais a situação, uma vez que a representação de pacientes e profissionais é fundamental para uma prática médica sensível e eficaz.
Para enfrentar essa realidade, o projeto Mediversidade, iniciado pelo Idomed e pelo Instituto Yduqs, propõe diversas intervenções focadas na inclusão e na diversidade dentro dos cursos de Medicina. Entre as medidas sugeridas estão a criação de cursos gratuitos de letramento étnico-racial, a ampliação de vagas afirmativas e a revisão da matriz curricular. Essas iniciativas são cruciais para promover a formação de profissionais mais conscientes e preparados para lidar com as questões raciais que permeiam o atendimento médico.
O filme “Corpo Negro” e o projeto Mediversidade representam um passo significativo em direção a um sistema de saúde mais eficiente e justo, destacando a necessidade urgente de transformação nas práticas médicas e na formação de profissionais de saúde. Ao trazer à tona as vozes e as experiências de pessoas negras, ambos contribuem para uma discussão crítica sobre racismo e equidade na assistência médica, incentivando a sociedade a se mobilizar em busca de um futuro onde todas as vidas sejam igualmente valorizadas e respeitadas.
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